terça-feira, 29 de abril de 2008

Conto para a eternidade - minha eternidade

Certo dia, quando me encontrava confortavelmente acomodado em minha poltrona, frente à janela, avistei quase que sem querer dois olhos grandes e vermelhos a me fitar. Encarei-os como que por instinto. Meus olhos arregalavam cada vez mais, e meus pelos do corpo se levantavam. Sentia o congelar da espinha me aterrorizar.

Inicialmente, preocupei-me em saber o que eram aqueles dois olhos; depois, preocupei-me em saber porquê me fitavam sem cessar; e somente depois disso preocupei-me com minha segurança.

Levantei da poltrona com as pernas bambas, apoiei-me com os cotovelos sobre o batente da janela e parei. Ali fiquei por um tempo. Pensava sobre o que poderia ser, mas, de certa forma, havia me esquecido da presença dos olhos. Foi quando andei de um lado ao outro, e voltei a me assustar. Eles continuavam a me encarar. Seguiam-me incansavelmente, e eu, indefeso, abaixei a cabeça como um sinal de submissão. Foi meu maior erro.

As luzes se apagaram e o espetáculo começou. Pulou sobre mim algo que eu desconhecia. Senti rasgar-me o peito e tirar o que havia de ficar lá dentro. Era meu coração.

Então sangrei. Sangrei até que me sentisse banhado pelo meu próprio sangue. Senti tudo o que tinha ir-se embora. Tudo, menos a dor, que era a única coisa que me mantinha ainda vivo.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sono H

Cavalos brancos correm pelo céu. Eles não têm asas, e se confundem com as nuvens.

Borboletas se arrastam pelo chão. Suas asas não suportam o peso da sua forma anterior.

Elas perderam a beleza e a graça, e agora são confundidas com folhas secas caídas ao solo.

Desatentos, alheios, nós as pisamos, e, ao perceber, sentimos nojo por ver o que tinha por dever se manter escondido.


Tudo é normal.


Olhamos para cima e contemplamos as nuvens.

De repente, elas se separam: são os cavalos brancos, correndo pelas estradas invisíveis dos céus.

O espanto é inevitável, e é ele quem começa a nos acordar.

Os cavalos iniciam a descida, e as borboletas o vôo.

As coisas começam a se inverter, e a voltar aos seus lugares.

Tudo ao seu tempo.

O sonho não acabou ainda...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sem título

Eu caminho por entre as lágrimas dos deuses.
É a chuva matinal, que hoje, mais parece uma tempestade.

Mas eu sou inatingível.
Eu sou inabalável.

As gotas de água que ousam se precipitar sobre a terra evaporam à minha presença;
E mesmo o vento, que insiste em correr forte somente em dias como este, dobra-se ao pressentir nosso encontro.

...

A chuva cessa e o vento acalma: este já não corre, é preguiçoso e, como um pedido de desculpas, incita os homens a receberem seu carinho.

Todos saem à rua.

E finalmente eu posso ser atingido
Finalmente eu posso ser abalado.

É quando eu percebo que aquilo que apavora os homens é o que me protege,
Só por me manter longe deles.

Porque é mais fácil andar entre animais selvagens que por entre os homens.

sábado, 12 de abril de 2008

Desculpa

Como um cavalo de fogo que corre pelos pastos, você passa e deixa seu rastro; marcas que jamais serão apagadas.

Os homens, nas mãos das mulheres, são escravos. Por cada palavra dita na hora errada, cada gesto não feito, nós sofremos. Pagamos com nosso próprio sangue.

As chibatadas doem, as correntes machucam, mas o pior é saber que já não existe esperança. Há muito a liberdade virou uma utopia, mas, mesmo assim, as vezes é bom mudar a chibata.





- Em relação ao título do texto: desculpa por agora postar apenas esses pequenos poemas, o trabalho me sufoca e as obrigações bloqueiam minha criatividade para textos mais longos. A única inspiração que consigo vem das minhas frustrações pessoais, e só é suficiente para poemas como esse e outros textos inúteis. Quem sabe um dia volto a ser como era antes e volto a postar minhas histórias tão queridas e feitas com tanto amor. -

domingo, 6 de abril de 2008

Literatura de diário

Um belo dia hoje passei
Desde que aquela menina avistei.
Seus pés a conduziam lentamente
Adentrando meu coração, indiferente.
A luz do sol seu sorriso espelhou
E em meus olhos tal brilho chegou.

Mas agora me peguei assustado
Quando percebi que por outra mulher já estava apaixonado.
Amor impossível, eu sei.
Mas se não sonhar, para quê viverei?
Tudo isso logo acabou
Quando gritaram:
“O sinal já tocou!”.

Em casa, cheguei e dormi.
E em cada segundo de sonho
Sonhei em dormir.
Ao acordar percebi:
“Meu dia perdi!”.
Exclamei, e voltei a dormir.

Eu sei, poesia fútil.
Mas, quem irá julgar,
O que é útil ou inútil?
Vai saber
O que eu quero mesmo
É aprender a escrever.

terça-feira, 1 de abril de 2008